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O que virá a seguir é uma obra de ficção original. Qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas ou fictícias, ou com qulquer acontecimento vivo, morto ou fictício, é mera coincidência.
“Amigo, por favor, não faz isso não”
- Quadrinista famosa anônima
“Cara, eu não faria, isso pode dar merda”
- Quadrinista famoso anônimo
“Tu é doido”
- Minha irmã
Gangue da Monik: Edição compilada integral - Autoria anônima
Dedicado a todos os artistas não creditados em obras que trabalharam.

[PARTE CENSURADA E DESTRUÍDA]
[PARTE CENSURADA E DESTRUÍDA]
[TODO O RESTO DA HISTÓRIA CENSURADA E DESTRUÍDA]
O texto a seguir é uma reprodução fiel, de um ensaio sobre a última tira. Nada foi editado ou corrigido, tudo está de acordo com os sentimentos e reações do ensaísta.
Porcos, Cães & Gatos
Por Felipe Pessanha
Eu queria discutir e abordar sinceramente esse trabalho, mas eu não sei se é possível fazer isso e manter um clima harmônico entre os broders.
vou tentar de qualquer forma, mas antes vou tentar elaborar melhor o motivo de eu não saber se é possível abordar esse trabalho sem deixar ninguém desconfortável
em primeiro lugar, eu já vou zoar a vibe por ter vontade de engajar sinceramente uma tirinha de internet. de alguma forma é errado se importar com as coisas.
chega um filha da puta pra responder "twittado de xique xique bahia” querendo dizer "MANO A SUA VIDA TEM PROBLEMAS E VOCÊ SE IMPORTA COM ARTE? BURRO". essa mesma pessoa que te falou isso provavelmente tem problemas e ainda se importa com arte.... porque todo mundo tem problemas e todo mundo se importa com arte em algum nível. é muito gratuito inclusive implicar que um trabalho está abaixo de ser levado a sério.
se a gente conseguir transpor essa barreira do "você não deveria se importar com isso" a gente entra na do "tá, você se importa, mas não precisa comentar essas coisas, se você não gostou bloqueia e segue com sua vida ou acha ruim aí na sua casa não precisa achar ruim nos comentários não"
e eu sinto que eu devo a mim mesmo uma tentativa genuína de abordar o trabalho. a crítica não tem o propósito de humilhar, nem desencorajar, nem só entender, mas transformar também. "mas eu não quero uma crítica" mas eu não to necessariamente pedindo permissão... você não pediu permissão pro mauricio de souza pra transformar o trabalho dele e fazer a tirinha. o que é importante pra mim observar aqui nessa relação de nenhum de nós dois estar pedindo permissão é realmente colocar essas atividades em pé de igualdade.
magdiel gera um texto (tirinha) a partir de um texto (turma da mônica), eu gero um texto (crítica) a partir de um texto (tirinha).
além disso, se seu trabalho não é um convite pra gerar significado ele é o quê? e por que postar?
tô dando esse preâmbulo todo porque eu recebo o trabalho do magdiel com certa frequência na minha tl, eu sei que eu tenho alguns amigos queridos que gostam do trabalho dele e eu não quero que nem o magdiel nem meus amigos se sintam pessoalmente atacados por eu achar essa tirinha incompreensível, mas ela é, incompreensível.
o tempo todo aqui eu vou partir do pressuposto que apesar de estar disfarçada de “tosqueira gratuita” ela está sim tentando concatenar ideias duma forma que faça sentido. dito isso, eu não acho que nenhuma das pessoas que curtiu e compartilhou conseguiria chegar numa resposta definitiva pra simples pergunta "qual o humor da tira?”.
E eu não quero dizer isso dum jeito "teste de tirinhas do rorschach" onde cada um vai entender uma coisa. a ideia é bem clara, mas ela é, bem claramente, nada.
isso é a continuação de uma tirinha que já era quase nada, mas ainda era um pouco. a bunda e a cara do floquinho são iguais, e normalmente a gente não vê no quadrinho da mônica nem a cara nem a bunda dele sendo penetradas. pudemos ver isso nessa tirinha.
não é uma tirinha necessariamente engraçada, mas tudo bem, eu gosto do desenho.
o magdiel, especificamente tem um manifesto "seje tronxo" que me informa em algum nível que eu não *deveria* gostar do desenho, ou não deveria procurar nenhum valor estético nele, mas eu gosto. gosto de ser “desafiado” por ele a não gostar. falaremos mais sobre isso, bem mais tarde.
mas acaba aí, né? a ideia de que a cara e a bunda do floquinho são iguais é o texto original, o que ele trouxe foi uma conclusão relativamente lógica de que uma dessas extremidades deveria ser penetrada... isso é muito pouco engraçado. tem um pouco do absurdo de serem personagens de história de criança. eu reconheço que isso *pode* ser engraçado, mas não foi. mais sobre isso mais tarde.
Talvez a piada seja que é >sexo< >gay< >de cachorros< mas, eu sinceramente acho que o magdiel não tá tentando algum formato estranho de humor homofóbico. mesmo assim, é impressionante o quão pouco ele consegue incrementar a ideia original. não tem nenhum tipo de confusão gerada pela cara e a bunda do floquinho serem iguais, só apresentação e penetração. "é, mas é porque cachorro tem faro bom e gosta de cheirar bunda de outros cachorros, então um cachorro saberia". isso é engraçado? "versão fictícia de cachorro fictício famoso, faz uma coisa de cachorro verídico." poderia ser mais engraçado se a gente tivesse alguma razão pra acreditar que o bidu *não* agiria assim diante da situação de querer penetrar o floquinho e não saber por onde; levando à quebra de expectativa; humor.
e eu quero realmente acreditar que o magdiel não tá colocando o humor da tira *todo* em "ha, gay!" (e eu odeio ser obrigado a dizer isso, mas eu acho inclusive que existe um contexto onde "ha, gay!" é engraçado, e esse contexto não tá aqui.). mas ele não tá nem interessado em pegar emprestado nada dos personagens que não seja a aparência deles. são dois cachorros e eles metem. poderia ser qualquer cachorro que a cara é igual a bunda com qualquer outro cachorro que a cara é normal. mas não tem nenhum outro cachorro que a cara é igual a bunda.
mas… tudo bem! a tirinha não precisa ser engraçada, eu posso só gostar do desenho. tem várias tirinhas que eu gosto que não tão nem tentando fazer uma piada. eu gostei da narrativa visual que o magdiel aplicou a essa não-ideia. Se fosse só ela, vocês não estariam lendo nada disso... Mas na segunda tirinha ele parece querer começar a maquinar uma piada e isso é feito duma forma tão sem ritmo, sem direção e sem intenção, que eu comecei a sentir falta da ausência de perspectiva própria da primeira tirinha. sinceramente. o que tá acontecendo aqui? qual é a piada, pelo amor de deus?
começa com o mingau achando absurdo eles transarem na rua, eles deveriam ter ido pelo menos prum telhado. >ISSO É UMA PUNCHLINE< ele fez uma piada aqui, isso é uma piada, você espera que o gato vá sugerir que eles não deveriam ter feito sexo em público, mas ele sugere outro local público. não é uma piada muito boa, mas é uma piada.... e além disso eu consigo reconhecer o valor cômico visual dos cachorros presos pela pica, que também não é muito, mas está ali. uma oportunidade incrível de parar aí e ter uma continuação pra sua tirinha. pronto! mas ele continua, por mais DOIS quadros. arte sequencial.
mas é duma falta de direção, uma falta de qualquer tipo de embasamento numa ideia que faça sentido, que chega a ser agressivo. levanta uma série de perguntas tão grande, que a mera escala da tarefa abalou, claramente, a minha resolução de abordar o trabalho com o interesse franco que eu acho que ele merece. seguimos.
o porco chovinista entra em cena mostrando um celular “aí, gagau”.
pelo que eu pude perceber das replys e quotes essa parece ser a parte favorita das pessoas na tirinha, o fato de que o porco chama o mingau de gagau. eu entendo como o humor pode morar nos detalhes, mas não passa de implicar uma coloquialidade. não é necessariamente uma ideia engraçada, é mais fofa. além disso, eu consigo imaginar perfeitamente essa piada sendo feita no texto original, não é uma ideia absurda.
agora é mais tarde, vamos falar mais sobre serem personagens de história de criança em situações de despudoramento. o que é proposto como “absurdo”, no trabalho todo, incluindo a primeira tirinha, é a estranheza da justaposição entre os personagens fofos e a natureza impudica da ideia, e sim, isso tem valor cômico. Na verdade, isso é uma das coisas que me informa como leitor que eu deveria estar achando isso engraçado, mas apesar de ter um valor cômico, o valor não é explorado de nenhuma forma significativa. são duas estéticas opostas sendo atiradas uma contra a outra com força moderada. não chega nem a ser explosivo.
e com a resposta do gato “tu filmou, porco do caralho!” eu acho que é hora da gente começar a tentar entender quais exatamente são essas estéticas que estão sendo jogadas uma contra a outra aqui. esse texto é *sobre* o quê? quais são seus temas centrais, sinceramente? isso é uma tirinha sobre revenge porn de cachorro homossexual? ou isso é uma tirinha sobre homofobia internalizada de gato conservador? eu tô maluco? lidando só com a informação que me foi dada aqui eu sei que o gato tá insatisfeito. ele desaprova o sexo, ou pelo menos a forma como o sexo foi conduzido. ele desaprova a filmagem, ou pelo a forma como a filmagem foi conduzida. ele também quer o vídeo por algum razão implicitamente perversa, uma pequena quebra de expectativa, mas sustenta uma piada? mais sobre isso mais tarde, de novo.
o tom escrachado unido aos desenhos *tronxos* desses personagens conhecidos, me informa que eu deveria estar rindo, e o conteúdo é… vago. esse texto não é *sobre* nenhuma dessas coisas porque nenhuma dessas coisas está no texto. a gente não sabe o que o gato quer com o vídeo. nós não podemos saber. o texto é só sobre esfregar o lúbrico contra o lúdico, duma forma vaga que indica a intenção de demonstrar a intenção de chocar sem jamais passar perto de chocar de verdade. são personagens de quadrinho infantil metendo e falando palavrão, mas eles tão desenhados dum jeito totalmente inofensivo, talvez mais inofensivo do que o próprio texto original (turma da mônica). A pica do cachorro está implícita, ele quer que você sinta a intenção dele de te chocar com a ideia da pica do cachorro, mas ele também quer que você simultâneamente saiba que ele não desenharia a pica do cachorro, pulsando, esporrando. não é sobre isso. não é pra te chocar de verdade. você também não quer isso. não estamos produzindo r34 dos animais da turma da mônica aqui. é por isso que a aparência precisa ser tão inofensiva e o texto precisa ser tão vago. e isso gera um resultado que simplesmente não funciona.
Mesmo entendendo esses temas um pouco melhor eu ainda tenho dificuldade de entender pra onde >a piada< tá indo. O humor da tira continua perdido. no primeiro quadro existe uma simulação de piada com a quebra de expectativa entre as duas falas do gato, mas o formato clássico de 3 quadrinhos indica que a piada vai estar no final dos 3 quadros. então, acho que agora é mais tarde, de novo. vamos falar de quebra de expectativa óbvia que eu venho ignorando até agora. O gato desaprova o ato, desaprova a filmagem, mas quer o vídeo. quebra de expectativa, certo? ah… talvez… eu não SEI o que ele quer com esse vídeo! a ideia implícita de impureza das intenções do gato corrobora com as expectativas construídas ao redor dele até agora. Tudo tem a mesma tonalidade escrachada e a temática é a tonalidade.
a piada é que o gato chama o porco de porco (significando pessoa ruim) e é engraçado pq ele é um porco (animal)? isso também é do texto original, porco chovinista. mauricio de souza, ou quem quer que tenha sido o ghostwriter dele nessa, reconhece que é engraçado misturar a ideia simbólica do porco ao animal porco e ainda faz um trocadilho com chuva, porque o porco é do cascão, cascão, chuva.
se de alguma forma isso é uma tentativa de mijar no trabalho do mauricio de souza, acaba saindo pela culatra como uma homenagem estranha. se for uma homenagem que quer existir no campo do desrespeito saudável e amigável, sai pela culatra como uma tentativa imatura de profanar o trabalho dele. em qualquer um dos ângulos, é necessário primeiro colocar o trabalho dele numa posição de importância. mauricio é um profundo conhecedor desse modelo. uma série de roteiristas majoritariamente não creditados já brilhou muito com 3 quadrinhos e os personagens da turma. você adota os personagens dele, você adota o formato dele, você reforça a unanimidade da presença dele no imaginário popular e a única inserção original são uns palavrões e pequenas ideias de como sujar o material. Nada é atingido.
agora é bem mais tarde, o texto acabou no parágrafo anterior. vamos falar do manifesto. o manifesto é claramente uma forma bem humorada dele abordar a prática artística dele e não vou ser cínico de assumir que ele tá, realmente, objetivamente tentando fazer as coisas mais feias possíveis. Mas o manifesto é interessante de se analisar como um exemplo mais elaborado do que eu acho que está acontecendo aqui. negação do padrão estético, completamente recheada de confirmação do padrão estético. pra existir um movimento seje tronxo é preciso elevar o padrão e confirmar seus valores. pra existir uma gangue da monik é preciso elevar a turma da mônica e confirmar seus valores. Mas o manifesto tem uma coloração camusiana, ele ri de si mesmo, ele te convida a participar, enquanto essa tirinha é duma agressividade flácida e hermética, escorada na turma da mônica.
































Isso que chamo de um movimento ousado. Me senti lendo uma parada proibida pela ditadura militar