Ouvi em uma entrevista com um organizador de evento, algo que me deixou incomodade. Ele disse que, embora o Instagram seja a maior rede social, o Facebook é onde artistas conversam e fazem networking (contatos), e que o Instagram era onde servia de portifólio. Essa fala me incomodou, porque acho perigoso você depender da META, uma bigtech que quer destruir a cultura (dentre outras coisas), e de redes insalubres como Instagram, e ainda mais Facebook, para que seu trabalho seja minimamente visto.
O entrevistado não tem culpa de nada disso, ele estava apenas constatando uma realidade. A fala dele me passou um conformismo, e uma sensação de que tá tudo bem, não tem problema. E isso me deixou incomodado com ele, o que me deixou incomodado comigo. Ele é um organizador do evento, um catalizador para artistas, mas a culpa vem de algo muito maior, algo que já falei sobre em outros textos.
Esse desenho já resume a ideia que tanto abordo aqui. Internet hoje é sinônimo de redes sociais. Tanto o público geral, quanto artistas, não acessam mais sites, não consomem nenhum conteúdo que não estejam no Instagram, Youtube ou qualquer outra rede secundária. Não estou dizendo isso como aquele tipo de pessoa que acha que o que é publicado nesses espaços é apenas futilidade, e quem consome é burro. Muito pelo contrário. Assisto e ouço Youtube todos os dias, é a melhor plataforma para vídeo e audio que tem. Existem muitos criadores incríveis lá, assim como no Instagram e em outros lugares. Gente que tem muito conhecimento e traz informações ótimas e de qualidade.
O problema é aceitar as redes sociais como único espaço possível para se comunicar, consumir e divulgar arte e outras produções. E isso perigoso por diversas razões.
As redes sociais são operadas por grandes empresas que:
Podem tirar tudo seu de lá qualquer momento;
Vão te limitar a criar e postar só o que eles acham aceitável;
Não entregam seu conteúdo ao publico;
Operam na lógica de algoritmo e não de forma orgânica;
Destroem o meio ambiente;
Fecham com a extema direita;
Te censuram;
Usam teu conteúdo pra alimentar I.A.;
E ETC...
As redes sociais são como os shopping centers. Locais abertos, que te dão a impressão de serem públicos e acessíveis, mas que na verdade são lugares privados, onde você não é livre para fazer o que quiser. O shopping te deixa circular nele, para você olhar as lojas, comprar, vender. Te oferecem um ambiente confortável, climatizado, seguro, pra você se sentir acolhido e com vontade de estar nele. Mas tu não pode vender o que quiser, comprar o que não tem lá, protestar, gritar, ou fazer nada que poderia fazer em casa ou na rua. Se tu quer vender o que quiser, divulgar, protestar, chorar aos berros, o shopping não é lugar pra isso, pois você não é livre lá. Mas as empresas privadas querem que você ache que é, e assim são as redes sociais.
Você acha que é livre pra postar o que quiser. Mas se tu faz o teu conteúdo, pensando em postar, pensando em como vai ficar enquadramento, tempo, tudo, estruturar para a plataforma, tu já não é livre. Tu não tá fazendo pra você, está fazendo pra plataforma. E isso mata a arte.
As pessoas esquecem que a internet é um mundo vasto, com infinitos espaços e possibilidades. Não sou entendido de tecnologias, mas tento me informar e sei que tem gente construindo espaços livres e independentes. E mesmo dentro das grandes empresas existem opções melhores, como os blogs e newsletters. Uma quase praça pública de fato, onde você pode ser mais livre.
Minha maior dica para quem se divulga na internet é: Construa um espaço pra você, fora das redes sociais, URGENTEMENTE! Seja um site, um agregador, um blog. Algo que reuna suas informações, e não te deixe na mão caso sua rede social principal caia. Se tu, que nem eu, não sabe fazer site, pode fazer um blog, como eu fiz, ou alguma das outras opções. Só não fique preso em Instagram, e muito menos Facebook e Twitter. Por favor. Eles querem te destruir.
“Um escritor deve recusar se deixar transformar em uma instituição.” — Jean-Paul Sartre
Para complementar o assunto:
Vídeo da julia solpin sobre liberdade artística:
Vídeo da Laura Sabino sobre a internet não ser livre:
Texto no meu blog: https://137magdiel.blogspot.com/2025/12/o-perigo-de-depender-das-redes-sociais.html
Por Magdiel em 11/12/2025
Magdiel é ume artista de Recife, fundador do coletivo 137 Cultural, e colaborador de diversos outros projetos envolvendo arte e cultura independente. É mais conhecido por seus cartoons humorísticos publicados na internet, e pela difusão do movimento “arte tronxa”.
Esse texto é um trabalho independente. Você pode ajudar compartilhando a publicação, ou até financeiramente se quiser.
No link acima tem todas as minhas redes sociais, contatos, lojas de produtos, apoia.se, pix, wishtlist e tudo mais.
Muito obrigade!






Esse ano me disseram na cara que “se não tá nas redes sociais, é inútil” e eu quase explodi de raiva. Cerca de 70% dos brasileiros acham que a internet é o Facebook. E não tô falando Meta, tô falando FACEBOOK mesmo. Esse dado já tem uns anos; se brincar, o buraco é ainda mais fundo hoje. O questão é que rede social não produz porra nenhuma: quem produz somos nós, artistas e comunicadores. Alimentamos a máquina, então é nossa obrigação provar que a internet é muito maior que isso. Precisamos ter pelo menos um ponto de contato fora da Meta, nem que seja um repost automático. É deprimente ter visto a internet nascer livre pra acabar resumida a um cercadinho controlado por uns merdas como o Zuckerverm e o Elon Tosko. Só que as pessoas não vão adivinhar que existe alternativa se a gente não mostrar o caminho para fora desse lixo alimentado por algoritmos que lucram com ódio e golpes. É nosso dever mostrar que existem outras formas de trocar ideia e se expressar.
muito bom, amigo, é tão angustiante essa dependência que temos das redes enquanto artistas e criadores, até como público também. Concordo muito com vc!